quarta-feira, 31 de julho de 2019

ESCRIBO ESTA CARTA



Escribo esta carta para mí mismo
y para ti que eres mi amigo
y para todos los demás
que han nacido de un sentido sin-sentido.

Y esto no es otro caso
distinto a lo que yo he pintado 
en la serenidad de un ocaso
de un caso que ya he mitigado.

La verdad es que creo 
que no soy nada a no ser nada.

Y son tan extrañas estas sandeces
que surgen en mi mente
que suenan a  preces que se elevan a las alturas
o nadan como peces en profundas honduras. 

Y camino y camino
por un camino
que si yo lo olvido
no volveré a mi destino
a menos que vuele
hacia el desierto de un amor 
que creía haber perdido.


RS

terça-feira, 25 de junho de 2019

SE TE QUERES MATAR (POEMA EN PORTUGUÉS DE FERNANDO PESSOA)



Se te queres matar, porque não te queres matar?
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, também me mataria...
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos o mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por actores de convenções e poses determinadas,
O circo policromo do nosso dinamismo sem fim?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente...
Talvez, acabando, comeces...
E de qualquer forma, se te cansa seres,
Ah, cansa-te nobremente,
E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
Não saúdes como eu a morte em literatura!
Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te...
Talvez peses mais durando, que deixando de durar...
A mágoa dos outros?... Tens remorso adiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorarão...
O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,
Quando não são de coisas nossas,
Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,
Porque é a coisa depois da qual nada acontece aos outros...
Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
Do mistério e da falta da tua vida falada...
Depois o horror do caixão visível e material,
E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,
Lamentando a pena de teres morrido,
E tu mera causa ocasional daquela carpidação,
Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas...
Muito mais morto aqui que calculas,
Mesmo que estejas muito mais vivo além...
Depois a trágica retirada para o jazigo ou a cova,
E depois o princípio da morte da tua memória.
Há primeiro em todos um alívio
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...
Depois a conversa aligeira-se quotidianamente,
E a vida de todos os dias retoma o seu dia...
Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste;
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.
Encara-te a frio, e encara a frio o que somos...
Se queres matar-te, mata-te...
Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência!...
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?
Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?
Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?
Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem,
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?
És importante para ti, porque é a ti que te sentes.
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjectividade objectiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?
Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?
Mas o que é conhecido? O que é que tu conheces,
Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?
Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?
Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente:
Torna-te parte carnal da terra e das coisas!
Dispersa-te, sistema físico-químico
De células nocturnamente conscientes
Pela nocturna consciência da inconsciência dos corpos,
Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências,
Pela relva e a erva da proliferação dos seres,
Pela névoa atómica das coisas,
Pelas paredes turbilhonantes
Do vácuo dinâmico do mundo...

sexta-feira, 21 de junho de 2019

CARAVELAS MINHAS (POEMA EN PORTUGUÉS)






Caravelas minhas que vão e vêm
Que trazem sentimentos e memórias
Segredos, juras de amor e outras histórias
Desejando chegar a bom porto também.

Caravelas que navegam por um imenso mar
De versos, poemas e sem qualquer luar
Perdidas em vastos oceanos de escuridão
Sem rumo, sem leme e sem qualquer capitão.

Mas ao findarem estas medonhas trevas
E estas ousadas e tenebrosas tempestades
Chegam a mim aquelas doces saudades

Que iluminam o caminho do meu cortejo
Naquele instante em que lendo o que escrevo
Tu sentes a força do meu desejo.

RS


terça-feira, 18 de junho de 2019

Ouço uma bela melodia (poema en portugués)







Ouço uma bela melodia...
E me questiono
Será tua? Será minha?
E eu respondo que nada me importa.
O que conta é esta magia
que existe no ar limpo da manhã
Tal qual o canto de uma feliz cotovia!

Ouvi-la alegre e entristece
Como se lá dentro de mim
Um sol dourado nascesse
E logo fizesse calor e depois frio.

Mas digam o que disserem
O AMOR é mesmo assim
Pode nascer num campo ermo
Como um lindo e cheiroso alecrim.



RS

sábado, 1 de junho de 2019

BRILHA! (POEMA EN PORTUGUÉS)







Brilha, brilha
E Brilha!
Como o sol dourado
De dois namorados
Que flameja como um cometa
E alumia o caminho
Para uma terra desconhecida.

Voam por um céu azul marinho
Livres como pássaros silvestres
Com o destino do “sem-destino”.

E assim voando
Com asas grandes e alvas
Causam o espanto dos espantos
Ao voarem para o reino das felizes almas

E eu não posso achar outras linhas
Entre tantas linhas...
Onde tenho plasmado
A beleza e a alegria
De dois eternos apaixonados.

terça-feira, 28 de maio de 2019

BRILLA






¡Brilla, brilla
y brilla!
como el sol dorado
de dos enamorados
que flamea como un cometa
y alumbra el camino 
hacia una tierra desconocida.

Vuelan en un cielo azul marino
libres como pájaros silvestres,
con el destino del "sin destino".

Y así van volando
con alas grandes y albas
que causan el espanto de los espantos,
volando hacia un reino de felices almas.

Y yo no puedo hallar otras lineas
entre tantas lineas...
donde he plasmado
la belleza y la alegría
de dos eternos apasionados.

RS

sábado, 25 de maio de 2019

UMA FOLHA SECA (POEMA EN PORTUGUÉS)








Uma folha seca de uma árvore qualquer
Entrou pela minha janela.
Mas que acontecimento tão misterioso!
E a mim pareceu-me imperioso
Escrever e falar dela.

Vejo a folha desde vários ângulos e esquinas
Tentando eu agora decifrar este ato,
As possíveis razões que a folha teria
E aquilo que realmente desejaria
P'ra entrar neste quarto.

É difícil desvendar porque a folha é muda
E possui uma cor acastanhada
E eu diria que pelo tom que tem
Um pouco mais amarelada, vendo bem,
Talvez traga consigo corações e espadas.

Então a folha repousa na mesa com aquela certeza  
De que me vai embriagar de mistérios
Como se eu já não vivesse dentro destas poesias
Que me lançam ao pátio das tristezas e das alegrias
P'ra escrever estes versos etéreos

No fim de tudo isto, esta folha não me confessou nada
Acabou por guardar silêncio até a vinda da alvorada
Quando uma brisa irrompe pela janela
E ao compasso da mesma, no ar límpido da manhã,  
Esta folha seca decide voar com ela...


RS